Bactéria encontrada na Amazônia pode reduzir custos e ampliar a produtividade
Publicada em: 9 de junho de 2017
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Estudos preliminares com o bioinoculante apontaram um potencial incremento de até 11 sacas de soja por hectare. No milho o acréscimo poderia chegar a 16 sacas

Daniel Popov, de São Paulo
Um pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), encontrou uma bactéria capaz de aumentar a produtividade tanto da soja quanto do milho. E não é só isso, o trabalho da biotecnóloga Bruna Durante Batista também aponta a possibilidade de se reduzir em pelo menos 30% o uso da adubação nitrogenada.

O estudo mostra que a bactéria, encontrada no solo da região amazônica, tem um custo de produção de aproximadamente a R$1 por hectare, não considerando infraestrutura e propriedade intelectual. Mas, se levar isso em consideração, para o produtor os custos certamente serão baixos. “As culturas do milho e da soja representam mais de 80% da área cultivada com grãos no Brasil e incrementos de crescimento e produtividade podem gerar uma riqueza significativa ao país. Portanto, é imprescindível dar continuidade a estudos utilizando esse Bacillus sp. RZ2MS9 em diferentes condições para a validação dos resultados”, diz Bruna.

Soja 30 dias - 32 edDurante sua pesquisa, a aplicação da bactéria aumentou o desenvolvimento do milho e causou incremento de 16 sacas de milho por hectare com redução de 30% na adubação nitrogenada, assim como um incremento de 11 sacas de soja por hectare, ambos comparados ao controle não inoculado. “Nos testes notamos esse incremento de produtividade, mas ainda falta fazer uma série de estudos para garantir se estes valores são reais. Este resultado inicial mostrou que existe potencial nessa bactéria”, explica a biotecnóloga.

Na imagem ao lado é possível notar a diferença entre a planta que não recebeu qualquer tratamento de sementes e a soja que foi tratada com a bactéria amazônica.

De uma forma simples, o que o estudo tem mostrado é que esta bactéria poderia servir como bioinoculante a diversas culturas e não só a uma específica, como as tecnologias atuais.  “Na soja não foi testada redução de adubação. Justamente porque no Brasil já se usa a inoculação de sementes com uma bactéria chamada rizóbio”, conta a pesquisadora. “Até agora testamos usar essa bactéria amazônica somente através do tratamento de sementes. Mas, vamos estudar outras formas de associação.”

Por fim, apesar de ser difícil prever quando os estudos serão concluídos, devido ao surgimento de novos testes, Bruna acredita que pode concluir até o final do ano. “A cada teste que concluímos, ou dois ou três surgem. É difícil prever. Mas, minha expectativa é concluir tudo até o final do ano”, diz Bruna. “Estamos estudando criar uma startup, futuramente, para comercializar esta biotecnologia.”

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