Do plantio à colheita – Vamos acompanhar esta produção de soja do Paraná?
Publicada em: 20 de setembro de 2018

A história do produtor rural Pablo Schmidt Rosa, de Mangueirinha (PR), é parecida com a de muitos outros. Filho de produtor, estudou e se formou como engenheiro agrônomo. Além de cultivar a oleaginosa em 25 hectares do pai, Daniel Rosa, também ajuda outros familiares vizinhos. Ele mostrará como está se desenvolvendo as lavouras de sua região, as dificuldades e acertos comuns de quem vive a cultura todos os anos.

O Projeto Soja Brasil vai mostrar como a soja se desenvolverá nesta localidade e para isso serão apresentados detalhes sobre o manejo, as condições climáticas e o desenvolvimento agronômico desse plantio. A cada semana novos capítulos serão acrescentados à história contada por Pablo, além de fotos e vídeos. Vamos acompanhar esta soja?

O Plantio

(de 9 a 15 de setembro)
O vazio sanitário no Paraná acaba no dia 10 de setembro e como o clima colaborou, nas áreas que Pablo cuida a semeadura da soja aconteceu exatamente neste dia, em sistema de plantio direto, após a colheita do feijão. A palhada remanescente não é tão abundante, porque a família optou por não colocar a aveia (como de costume), como cultura de cobertura.

“Os custos já estão bastante altos este ano por conta do dólar. E como se trata de uma agricultura familiar, optamos por não fazer essa cobertura”, diz Pablo.

A semente da soja de ciclo normal foi inoculada e recebeu tratamento com fungicidas e inseticidas e aplicada no solo com uma plantadeira de oito linhas, em quatro dias de trabalho, já que terreno é íngreme, possui pedras e é dividido em 4 glebas (talhões). O solo não precisou de correção e foram acrescentados a ele 205 quilos de adubo de base por hectare.

Do dia 9 a 15 de setembro, Pablo contabilizou chuvas de 22 milímetros acumulados na região. Já as temperaturas foram amenas variando de 12 a 25 graus.

“Se for analisar esse não é o momento ideal para o plantio da soja, pois as horas de luz ainda estão curtas e a temperatura segue mais baixa que o ideal. Mas a opção foi plantar antecipadamente para garantir o plantio do milho safrinha na sequência”, diz Pablo.

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Milhares de pontos verdes despontam

(de 16 a 22 de setembro)
Exatos dez dias após o início do plantio, dia 17, a cena encontrada por Pablo no campo é aquela que todo o produtor tem orgulho e se emociona, milhares de pontinhos verdes riscam o campo de forma vigorosa, trazendo o otimismo que a safra será muito boa. Segundo o produtor a germinação foi boa e com as plantas apresentando potencial para excelentes condições.

“É muito gratificante ver a cultura em pleno desenvolvimento. Ver aquelas sementes brotando vida e despontando. As expectativas são grandes em relação ao potencial de produção. A germinação foi bem sucedida, apesar de existir uma porcentagem da área com plantas duplas, devido um problema causado pelo excesso de velocidade no plantio”, comenta Pablo.

Nas fotografias tiradas pelo produtor de Mangueirinha (PR) é possível notar as tais plantas duplas que ele cita. Ele sabe que plantar com velocidades acima de 6 quilômetros por hora causa problemas.

“Quando o implemento passa da velocidade ideal para o plantio causa essa má distribuição da semente. Por isso tem plantas juntas e falhas. O certo é não fazer assim já que este agrupamento gera disputa por espaço e nutrientes, diminuindo o potencial de produção. Mas presto serviço aos meus vizinhos e eles queriam economizar tempo e combustível, que está caro”, comenta.

Pablo ressalta que a agricultura familiar é bem menos tecnificada que a em grande escala e muitas vezes é difícil convencer o dono da área que economizar no plantio pode gerar perdas na colheita. “Para alguns não importa se vai plantar a 5 km ou a 10 km, mas sim se vão economizar em hora do operador e combustível que custava R$ 2,80 no ano passado e agora está R$ 3,50 por litro”, conta.

O regime de chuvas de 16 a 22 de setembro foi de 87 milímetros acumulados, divididos em três dias. As temperaturas variaram de 12ºC a 25ºC até o dia 20, depois disso o tempo esquentou e chegou a atingir 35ºC.

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 Chuvas, erosões e plantas daninhas

(de 22 a 29 de setembro)
É uma unanimidade entre os produtores a felicidade causada pela chegada das chuvas após o plantio da soja. Ela traz a certeza que as plantas se desenvolverão com qualidade neste que é considerado o período mais crítico. Nas propriedades que Pablo ajuda a cuidar água não faltou. Do dia 19 a 24 de setembro a região de Mangueirinha recebeu 82 milímetros acumulados, que segundo o produtor nem é um grande volume para a época.

“A chuva que caiu nem foi tão grande assim. Tivemos uns 35 milímetros acumulados em um dia e uns 37 em outro. Isso seria bom de maneira geral, mas em uma parte da área gerou escorrimento superficial”, diz Pablo. Veja o vídeo abaixo da área afetada!

Uma das razões apontadas por Pablo para o problema é justamente a falta de uma palhada volumosa na área, ainda efeito daquela decisão inicial de não fazer a cobertura com aveia (Veja no capítulo inicial “O Plantio”), para evitar elevação de custos.

“Ali teremos um prejuízo, isso é certo. Ainda é cedo para dizer quanto, pois mais à frente outras intempéries podem acontecer, mas ali terá uma perda com certeza”, conta ele.

Para piorar um pouco mais as coisas, a falta de palhada na área também trouxe outro problema que pode ampliar as perdas: o aparecimento de plantas daninhas. “Devido o solo estar exposto aos raios solares diretamente, isso estimulou a germinação de sementes dormentes de ervas daninhas”, afirma Pablo.

A planta daninha encontrada é o Azevém, considerada um problema pelo produtor, pois ele é resistente ao glifosato e não foi eliminado na dessecação da área. “Agora ele está lá no meio da soja causando competição pelos nutrientes do solo. Mais uma dor de cabeça para a produção final”, diz. Confira no vídeo abaixo!

Semana que vem tem mais!

Sobre o Projeto Soja Brasil
O projeto tem a realização do Canal Rural e da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), com a coordenação técnica da Embrapa Soja. O apoio institucional é do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). A consultoria é de Safras & Mercado e Somar Meteorologia. O patrocínio é de Ihara e Mitsubishi Motors.

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