Defensivos agrícolas: Aprosoja cita mitos e pede mudança na lei
Publicada em: 24 de janeiro de 2018

Foto: Daniel Popov

Entidade conta que um registro leva 7,5 anos para ser liberado no país e que não há opções genéricas mais baratas no mercado, porque defensivos estão nesta burocrática fila

Daniel Popov, de São Paulo
Como boa parte dos assuntos relacionados ao meio rural são incompreendidos pela população em geral, muitos mitos acabam ganhando destaque nas redes sociais e se tornam verdades irreversíveis. O defensivo agrícola é um destes casos e já sofre preconceito desde o início, no modo como é conhecido, “agrotóxico”.

Mas, em 50 anos, este aliado na proteção das lavouras perdeu 160 vezes o seu grau de toxicidade aguda em humanos e meio ambiente, afirmou o diretor executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, durante sua palestra na Abertura Nacional da Colheita da Soja, que aconteceu em Canarana (MT).

“Isso é um mito. Hoje os defensivos são menos tóxicos para o ser humano, plantas e meio ambiente. Graças a evolução da tecnologia, que ficou mais seletiva e atinge apenas a praga alvo”, explica Fabrício Rosa.

E este não é o único mito a respeito dos defensivos, garante o diretor da Aprosoja Brasil. Há também a ideia de que a cada ano se usa mais agroquímicos, quando a verdade aponta para uma redução em 80%, no mesmo período de 50 anos, no uso dos ingredientes ativos aplicados no campo. “Os que restaram estão 160% menos tóxicos para o ser humano, plantas e meio ambiente. Isso graças a evolução da tecnologia, que ficou mais seletiva , atingindo apenas a praga alvo”, explica.

“O problema é a insegurança que se criou em torno desta tecnologia, com um entendimento generalizado e perigoso de que o setor usa uma tecnologia danosa a humanidade e isso é um grande problema”, conta.

Outro fato amplamente disseminado por aqueles que se opõe ao uso da tecnologia, é que o Brasil o maior consumidor de agroquímicos do mundo, ou que cada brasileiro bebe em torno de 50 litros de agrotóxicos por ano. “A conta correta é: o consumo absoluto dos ingredientes ativos por hectare produzido. Sendo assim, o Brasil é o sexto maior consumidor do mundo. Lembrando que temos um clima tropical que favorece o aparecimento de pragas. E, ainda assim, somos mais eficientes na aplicação desta ferramenta que países até mais rígidos com isso, como o Japão, por exemplo”, ressalta Fabrício Rosa.

Há ainda quem diga que todos os alimentos estão contaminados com agroquímicos, mas o diretor executivo discorda desta afirmação trazendo mais alguns dados. “Segundo a Anvisa, 99% dos alimentos são livres de risco agudo por agrotóxicos, ou seja, sem riscos de envenenamento ou outras implicações. Quem divulga estas informações falsas são os interessados em vender seu produto, como os orgânicos, ou ambientalistas que não entendem como as coisas funcionam”, diz.

Um fator ressaltado pelo executivo, que talvez muitos não saibam, é que o preço dos defensivos têm crescido muito nos últimos anos, e hoje respondem por 43% dos custos totais das lavouras. “Queria saber qual é o produtor que quer gastar mais e ganhar menos? Não conheço nenhum. Então porque achar que eles querem jogar agroquímico, por jogar?.”

Nos últimos 4 anos, o preço do defensivo subiu 100%, o das sementes 47%, e o dos fertilizantes 16%. “A participação dos defensivos nos custos totais aumentou muito, isso mostra um desequilíbrio”, conta o diretor da Aprosoja Brasil .

O assunto veio à tona agora, porque a Aprosoja Brasil pretende pedir mudanças na lei de defensivos do Brasil. Já que este insumo está cada vez mais caro e a liberação das opções genéricas (mais baratas), está represada em um processo burocrático.

“Os produtos genéricos para controle de ervas daninhas e pragas comuns como: para mosca branca, lagartas e percevejos; só tem uma empresa ofertando. Isso é a prova de que existe um problema no sistema de registro brasileiro. Pois muitas empresas já pediram autorização para fabricar o mesmo produto e ainda não receberam”, afirma Fabrício Rosa.

Veja como foi a palestra de Fabrício Rosa:

O executivo da Aprosoja explica que hoje o pedido de registro precisa ser entregue individualmente em três órgãos governamentais: o Ministério da Agricultura, a Anvisa e o Ibama. “Só que a comunicação entre estes três é muito ruim e com um sistema que não é informatizado, o registro acaba saindo depois de 7 anos e meio”, ressalta. “Não a toa ganhou o apelido de triângulo das bermudas, pois vários processam entravam lá e se perdiam.”

Muitas vezes, quando o produto é liberado, já ficou obsoleto para o mercado, garante ele. Em outros países, como na Argentina, Estados Unidos, Paraguai, China e Austrália apenas um órgão é responsável por analisar e liberar estes registros e tudo é informatizado. “E aqui levamos quase 8 anos anos? Não existe um motivo técnico para isso, o problema é a ineficiência do sistema e a falta de entendimento do caso”, garante Fabrício Rosa.

E por estas razões o executivo defende que algumas mudanças sejam realizadas, entre elas a centralização dos pedidos para um único órgão e a criação de um status de emergência para produtos mais demandados.

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Sobre o Projeto Soja Brasil
O projeto tem a realização do Canal Rural e da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), com a coordenação técnica da Embrapa Soja. O apoio institucional é do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). A consultoria é de Safras & Mercado e Somar Meteorologia. O patrocínio é de Ihara e Mitsubishi Motors.

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