Enrugamento das folhas faz sojicultor perder 40% da produtividade
Publicada em: 13 de dezembro de 2016

Foto: Romildo Figueiredo

Problema de difícil solução, o encarquilhamento tem causas diversas que atrapalham o desenvolvimento da planta e afetam a produção.

Daniel Popov, de São Paulo
Certo problema tem tirado o sono dos produtores de soja de alguns estados há algumas safras. Trata-se da ocorrência de enrugamento das folhas de soja em reboleiras (termo usado para descrever que não é em toda a área do talhão, mas sim manchas). Os relatos descrevem que o este evento começa pequeno e se expande a cada ano, partindo sempre do mesmo lugar. Os prejuízos chegam a 40% da produtividade em alguns casos.

Os tais enrugamentos, também conhecidos como encarquilhamentos, orelha de onça ou enrolamento, não é algo generalizado, nem qualquer surto de uma nova doença e menos ainda alguma coisa que afete uma produção inteira. Estes sintomas nas plantas já são observados há alguns anos e podem estar ligados a uma série de fatores, ou seja, o problema que causou o enrugamento em uma área pode não ser a mesma razão em outro lugar.

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Segundo o engenheiro agrônomo e consultor técnico, Carlos Bakes, o problema pode ser desencadeado por causa das baixas temperaturas, problemas por compactação de solo, ou até mesmo elementos químicos no solo que causam alguma toxidez. “Normalmente os eventos acontecem em solos bastante argilosos e regiões com baixa altitude, em torno de 400 metros”, afirma Bakes.

Já a Embrapa garante que há ainda mais razões, além das citadas acima, mas que sem uma analise completa de solo, planta e manejo, fica difícil atribuir uma causa. A entidade já recebeu algumas amostras de áreas afetadas e está pesquisando para entender o que ocorre.

Sintomas

Os sintomas aqui descritos foram informados por engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas de regiões afetadas. Em todos os relatos os tais encarquilhamentos ocorrem todos os anos, na mesma área e seguem se ampliando um pouco de cada vez.
Uma das causas, segundo Bakes, pode ser a baixa temperatura, após a formação do segundo nó, com a emissão da primeira folha trifoliolada que induz essa reação, em algumas cultivares. Não são todas as cultivares de soja que apresentam essa anomalia, por exemplo.

Os casos também ocorrem em regiões com solos com alto teor de argila como no norte Paraná. “Também percebemos este problema em áreas de pastagens reformadas para grãos”, relembra.
Por fim, boa parte das plantas afetadas acaba se desenvolvendo menos que as demais, fato notado devido ao tamanho menor da soja e de sua produtividade.

Sem solução

Segundo o engenheiro agrônomo, e também diretor vice-presidente da Aprosoja Região Norte do Paraná, Vittorio Ventura, relatos como o descrito acima já acontecem há pelo menos cinco anos em municípios como Itambaracá, Andirá, Cambará, Abatiá, Santa Amélia, Bandeirantes, Santa Mariana, Cornélio Procópio entre outras. “Isso acontece há bastante tempo e nem a Embrapa conseguiu nos ajudar a solucionar o problema”, garante Ventura. “Se tiver boa umidade no solo, até ocorre uma recuperação parcial. Em condição de seca, as plantas não se recuperam.”

No sitio Santana, localizado no município de Itambaracá, o sojicultor Romildo Figueiredo já enfrenta o problema há pelo menos dois anos e assim como os outros o problema começa em determinada reboleira e vai se ampliando safra após safra. “Fui atrás de cooperativas da região e me disseram que era nematoide. Fiz a analise de solo e descobrimos que não era isso. Alias, não deu nenhuma anomalia. Mesmo assim plantei este ano uma variedade resistente aos tais nematoides, mas não resolveu nada”, garante Figueiredo.

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O produtor conta que as plantas afetadas realmente não atingem o mesmo tamanho das demais e a produtividade é reduzida em pelo menos 40%. “Já procurei a Emater também, mas ninguém sabe o que está acontecendo. Sou um pequeno produtor e não tenho como descobrir o que acontece. Precisamos de ajuda, porque a coisa está se espalhando”, implora Figueiredo.

O engenheiro agrônomo Vittorio Ventura relembra também que os tais encarquilhamentos avançam em sentido ascendente ao relevo, ou seja, não se desloca apenas levado pela água das chuvas, como muitos achavam.

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E não é só no Paraná que o problema vem acontecendo, há relatos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Na propriedade de Renato Romano, em Araçoiaba da Serra (SP) o problema também vem acontecendo. “Nesta área temos algumas reboleiras com este encarquilhamento e a estamos buscando alguns institutos de pesquisa para mandar estas plantas para avaliação e entender o que está acontecendo”, diz Romano.

A indicação de todos os profissionais e da Embrapa é que antes de tomar qualquer atitude o produtor que perceber o problema deve buscar ajuda de profissionais para este entendimento. “Não há uma única razão para este encarquilhamento, cada caso é um caso e é preciso pesquisar, investigar antes de qualquer atitude”, reitera o coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura (Mapa), Wanderlei Dias Guerra.

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Reboleira com enrugamento

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Sobre o Projeto Soja Brasil
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