‘Sem glifosato, voltaria a era das grades pesadas’, alerta pesquisador da Embrapa
Publicada em: 17 de setembro de 2018

Pesquisador da Embrapa Soja Dionísio Gazziero

De acordo com Dionísio Gazziero, durante a Abertura Oficial do Plantio de Soja, a proibição do herbicida elevaria custos e traria de volta práticas de manejo mais prejudiciais à natureza

Daniel Popov, de São Paulo
Além dos aspectos econômicos que vão causar impacto na cultura de soja nesta safra, a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2018/2019, realizada pelo projeto Soja Brasil em Terenos (MS) também abordou outro impasse que preocupa o setor: a proibição de importantes agroquímicos, como o paraquat e o glifosato.

Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Dionísio Gazziero, se a proibição do glifosato acontecer de uma hora para a outra, o Brasil terá sérios problemas. “Teríamos não só um problema agroeconômico, com a alta dos custos de produção e uso excessivo de outros produtos que não têm a mesma eficiência, como também teríamos um impacto ambiental, pois o manejo voltaria à era das grades pesadas, muito mais prejudicial à natureza do que produtos como esse (o glifosato), que são usados em países muito mais rigorosos como EUA, Japão e também a Europa”, afirma.

Para que se possa entender, antes dos anos 1980, a agricultura brasileira não fazia o plantio direto. Na prática, acreditava-se que usar as grades para destruir as plantas invasoras e a queima da palha limpavam a área e deixavam o solo pronto para receber a soja.

“No início foi complicado. Muitos produtores testavam o plantio direto em um ano e abandonavam e voltavam a passar o arado no seguinte. De maneira geral, dava para perceber os benefícios, economizava-se horas de uso de máquinas, combustível e o número de pessoas que trabalhavam ali. Outra vantagem perceptível foi o controle das erosões, problema grave da época, causado pelo uso excessivo de grades pesadas e niveladoras, sem falar que isso causava compactação do solo”, conta Gazziero.

Por isso tudo a área de pesquisa defende um olhar diferente e imparcial sobre o glifosato e também o paraquat. “Não posso dizer que temos dependência do glifosato, porque temos outros produtos. (Mas) Sem ele o sistema teria que mudar ou mesmo voltar a usar grades, que seria um retrocesso. Neste momento não temos um produto com a mesma característica do glifosato para combater as plantas daninhas”, garante.

Assista a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2018/2019 na íntegra:

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