USDA surpreende mercado e preços da soja sobem mais de 1%
Publicada em: 13 de janeiro de 2018

Por enquanto, analista de mercado não acredita que os valores tenham força para subir muito mais

Daniel Popov, de São Paulo
O relatório divulgado nesta sexta, dia 12, pelo Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA) era muito aguardado pelo mercado de commodities, pois nele consta as projeções de safra do Brasil, Argentina e a confirmação do que foi obtido pelos americanos. O resultado surpreendeu a todos e elevou instantaneamente os preços da soja na Bolsa de Chicago.

O relatório projetou uma safra mundial de soja em 2017/2018 pouco maior, chegando a 348,57 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 348,47 milhões. Os estoques finais também foram elevados de 98,32 milhões de toneladas para 98,57 milhões. O mercado apostava em estoque de 99 milhões de toneladas.

Indo a parte que de fato interessa ao mercado, a  projeção do USDA aposta em safra americana de 119,53 milhões de toneladas, contra uma perspectiva inicial de 120,4 milhões de toneladas. “O mercado não estava esperando isso, achavam que a projeção anterior seria mantida. As previsões para Brasil e Argentina estavam dentro do que todos esperavam”, conta o analista Luiz Gutierrez, da Safras & Mercado.

Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 110 milhões de toneladas, contra 108 milhões do levantamento de dezembro. A projeção para a Argentina recuou de 57 milhões para 56 milhões de toneladas. “O mercado já esperava resultados assim, o que surpreendeu foi a redução nos Estados Unidos. Os operadores de mercado estavam precisando de uma razão para corrigir as cotações para cima e encontraram”, ressalta.

Gutierrez explica que os preços da soja, na Bolsa de Chicago, na posição para março de 2018, estavam testando a resistência de US$ 9,50 por bushel e dificilmente conseguiriam baixar mais. Para que isso ocorresse, seria necessário que Brasil, Argentina ou Estados, apresentassem produções bem maiores que as esperadas, hipoteticamente falando. “O mercado se apoiou nessa redução da safra americana para elevar o preço para US$ 9,60 por bushel. Mas, isso é um movimento de ajuste, não tendência de alta”, diz.

E, não foi apenas o contrato de março que fechou em alta, não. Todos os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam com altas superiores a 1%. Na posição março 2018, o valor fechou em US$ 9,60, alta de 1,1%. Maio 2018 ficou em US$ 9,72, por bushel (+1,14%) e julho 2018 a US$ 9,81 (+1,1).

O produtor de soja precisa ficar atento, pois estas elevações não tem sustentação, explica o analista. “Este é um movimento passageiro, não se sustenta. Seria necessário acontecer algum problema climático mais sério, ou uma quebra significativa na safra de algum país, para o preço subir ainda mais. Por outro lado, agora, acho difícil os valores caiam abaixo de US$ 9,50, pois é muito baixo”, conta Gutierrez.

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Sobre o Projeto Soja Brasil
O projeto tem a realização do Canal Rural e da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), com a coordenação técnica da Embrapa Soja. O apoio institucional é do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). A consultoria é de Safras & Mercado e Somar Meteorologia. O patrocínio é de BASF e Mitsubishi Motors. O apoio nos eventos é de Yara Brasil Fertilizantes.

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